48 bases militares dos EUA na Itália para guerrear na África e no Oriente Médio

https://i0.wp.com/www.ilpiave.it/imgart/171207/aviano.jpgEscrito por Achille Lollo para Correio da Cidadania – São Paulo/Brasil, aos 11/23/2013

Durante a guerra fria os generais do Pentágono acreditavam que a Alemanha e a Itália eram as regiões geoestratégicas mais importantes da Europa e do Mar Mediterrâneo à causa de suas características geográficas, políticas e econômicas. Por isso, até 1990, os EUA aquartelaram na Alemanha 200.000 fuzileiros e 50.000 “especialistas”, isto é: pilotos, técnicos de radares, de telecomunicações e, sobretudo, as unidades operativas dos grupos especiais. Após a reunificação alemã, somente os “especialistas” permaneceram na Alemanha.

Na Itália, o contingente de militares estadunidenses permaneceu intacto até 1990, com seus 13.000 “especialistas”. Depois, houve um aumento gradual até 2001, quando 20.000 “especialistas” operavam nas 48 bases militares (da USArmy, USAF, USNavy e da OTAN), nas 40 estações radar e centros de telecomunicações (USAF e NSA) e nos 15 depósitos e polígonos que o Pentágono obteve do governo italiano graças aos acordos bilaterais ou no âmbito da OTAN. Uma maquina bélica que, em 1999, jogou um papel fundamental na “guerra humanitária nos Bálcãs” (Bósnia, Croácia, Macedônia, Sérvia e Kossovo) para a completa desestabilização da Federação Iugoslava. É suficiente lembrar que as duas esquadrilhas de F-16 do 31º Esquadrão de Caça da USAir Force (31st Fighter Wing), em apenas 78 dias realizaram 9.000 missões de combates e bombardeios nos céus da Iugoslávia a partir da base italiana de Aviano!

Depois, em 2011, o sistema logístico e operacional criado pelo Pentágono na Itália teve uma importância decisiva na destruição do exército de Gheddafi, pois sem o suporte do referido sistema – em particular das bases de Aviano, de Pisa (Camp Darby), de Vicenza (Camp Ederle) e de Sigonella na Sicília – a aviação francesa e a britânica e os navios lança-foguetes da VIª frota estadunidenses nunca teriam conseguido bombardear sem interrupção, durante 29 dias, as cidades onde se havia entrincheirado o exército de Gheddafi.

De fato, a Casa Branca antes de criar as conjeturas diplomáticas e políticas para derrubar o governo dos Talebani no Afeganistão, para destruir fisicamente o Iraque de Saddam, para manter em estado de assédio o Irã, a Síria e o Líbano e, depois, em 2001, acabar com o regime de Gheddafi, precisava exercer o controle total no Mar Mediterrâneo e, portanto, ter a absoluta certeza de que as múltiplas operações militares não teriam comprometido a regular exportação do petróleo e do gás dos países árabes para o Ocidente.

Foi nesse contexto que a partir de 1990, todos os presidentes dos EUA aprovaram as opções geoestratégicas do Pentágono, segundo as quais a capacidade operacional do exército estadunidense em controlar o Mar Mediterrâneo passava, inevitavelmente, pela multiplicação das características operacionais das 48 bases militares italianas, pela capacidade logística dos 15 depósitos de armas e, sobretudo, pela qualidade da “espionagem” tecnológica das 40 estações radares e centros de telecomunicação, criados na Itália.

Um objetivo estratégico a quem o Congresso, desde 1992, destinou dotações orçamentárias que, em 2011, totalizaram um valor de 3 bilhões e 820 milhões de dólares. Infelizmente permanecem secretados os “investimentos ocultos ”que o Pentágono recebeu da Casa Branca para equipar as 48 bases militares italianas com “branches” para os serviços de inteligência (CIA, NSA, USArmy), departamentos logísticos para as operações secretas, comandos móveis para as missões especiais e centrais de espionagem eletrônico urbano.

Foi nesse âmbito que, em 1991, o Congresso atribuiu uma verba especial ao orçamento do Pentágono de 300 milhões de dólares, para ampliar, em Nápoles, (centro-sul da Itália) o Comando do Security Force dos Marines, o Comando da USAF (Força Aérea) para o Mediterrâneo e construir uma base para os submarinos da USNavy, inclusive com cais para os submarinos armados de foguetes com ogiva nuclear. A seguir, em 1996, foram investidos mais 400 milhões de dólares para alugar, por 30 anos, vários territórios na província de Nápoles (Capodichino e Bagnoli), onde foi construída uma base aeronaval para a USAF e um porto militar logístico, capaz de movimentar anualmente 5.000 contentores da USArmy. Além disso, em Bagnoli a USNavy construiu o principal centro de coordenação das atividades de telecomunicação para o controle do Mar Mediterrâneo.
Também no nordeste italiano – à 500 km da fronteira com a Iugoslávia – o Pentágono investiu pesado destinando, em 1992, 305 milhões de dólares para a modernização da base aérea de Aviano.

Depois, em 2004, mais de 115 milhões foram investidos para permitir a aterrissagem nesta base aérea dos bombardeiros estratégicos armados com bombas nucleares, os grandes aviões-radar, os caças-interceptadores, além de transferir das bases aéreas da Alemanha grande parte das esquadrilhas de caças-bombardeiros de F-15 e F-16. Foram também construídos silos subterrâneos para 40 dos noventa foguetes nucleares que os EUA estacionaram (ainda hoje) na Itália desde o início da “Guerra Fria”.

Mas, foi a dramática evolução das crises políticas no Oriente Médio e a perspectiva de dever patrulhar ostensivamente os céus e os mares da África do Norte, que obrigou o Pentágono a gastar mais dois bilhões de dólares na construção da maior base logística do Mar Mediterrâneo, chamada de “Camp Darby” e localizada entre Pisa e o porto de Livorno (região Toscana, no centro da Itália). Uma base que o Setaf, administra fora da jurisdição italiana, com 1.400 “especialistas’ do 31st Munitions Squadron, estocando nos 125 depósitos subterrâneos uma reserva estratégica de armas e munições, capaz de municionar todas as unidades do exército e da força aérea dos EUA que operam na região mediterrânea durante seis meses de conflito. Além disso, em Coltano, foi instalada a maior central européia de “espionagem eletrônico”, onde os técnicos da NSA podem copiar todas as telecomunicações captadas na região mediterrânea.

Em Vicenza (região do Veneto, na Itália do Norte) o Pentágono criou outra grande base aérea, denominada “Camp Ederle” onde operam 2.000 “especialistas”. Nessa base foi instalado o Comando da Setaf da USArmy para dirigir as unidade estadunidense aquarteladas na Itália, na Grécia e na Turquia. A seguir, também a OTAN escolheu “Camp Ederle” para fixar seu Comando Geral Operativo. Em 2008, “Camp Ederle”, apesar dos protestos da população de Vicenza, foi novamente ampliado para permitir à Quinta Força Aérea Tática da USAF de manusear os bombardeiros armados com bombas nucleares além de estocar nos depósitos subterrâneos da base mais 40 ogivas nucleares.

Entretanto, a presencia militar dos EUA na Itália aumentou sensivelmente a partir de 2001, quando George W. Bush decidiu promover o conflito contra os “estados canalhas” (produtores de gás e petróleo) e, assim, legitimar no Ocidente o alcance de uma nova geopolítica energética. Foi dentro dessa lógica que o Departamento de Defesa da Casa Branca e os generais do Pentágono argumentaram que antes de mover qualquer tipo de ação militar contra o Iraque de Saddam Hussein era necessário criar no Mar Mediterrâneo uma poderosa base aéreo-naval capaz de monitorar, em todos os sentidos, as operações no Oriente Médio e na África do Norte.

Por isso, o Congresso aprovou o investimento de 300 milhões de dólares para transformar a base italiana de Sigonella (na ilha da Sicilia) em “Sigonella Naval-Air Station”, evidentemente desligada de qualquer tipo de jurisdição territorial com a Itália. Em 2002, essa base começou a ser usada para dirigir o aviões sem pilotos (drones) Global Hawk. A seguir, em 2003, vieram os aviões P-3 para realizar a espionagem eletrônica em altura atmosférica com seus scanners de altíssima resolução óptica. Depois, em 2008, o governo Berlusconi assinou com o chefe da AFRICOM, general Willian E. Ward, um “acordo secreto” que permitiu à USAF de instalar na base de Sigonella o comando operacional de todos os drones estadunidenses que deviam operar no Mar Mediterrâneo, na África no Norte, no Oriente Médio e no Afeganistão. Enfim, em 2009 o Comando da AFRICOM inaugurava em Sigonella a “escola de anti-terrorismo” para os militares e policiais de Botsuana, Gibuti, Burundi, Uganda, Tanzânia, Quênia, Tunísia e Senegal.

Sempre em 2008 numa apresentação na Universidade Nacional de Defesa, o segundo comandante do AFRICOM, o Vice Almirante Robert Moeller, declarava que “…a África tem uma importância geoestratégica cada vez maior para os Estados Unidos e o petróleo é um fator chave, porém o principal desafio para os interesses estratégicos norte-americanos na região é reduzir a crescente influência da China na África”.

Uma declaração que sintetizava as conjeturas políticas e estratégicas que os colaboradores de Obama estavam criando para poder derrubar o regime de Gheddafi.

Hoje, a base de Sigonella está novamente de alerta geral à causa da crise política que explodiu na Líbia entre as “milícias jihdaistas” – antigos aliados dos EUA no derrube de Gheddafi – e os “países amigos” da OTAN. De fato, em menos de um ano as milícias atacaram o consulado dos EUA em Bengase, aos 11 setembro de 20012, matando o embaixador, Chris Stevens; depois atacaram em Trípoli as embaixadas da França e da Itália. Mais recentemente seqüestraram o primeiro ministro, Ali Zeidan, para depois sabotar gravemente o terminal petrolífero de Mesurada onde operavam os técnicos italianos da ENI.

Um caos político e institucional agravado pela queda na produção petrolífera, que, durante o governo de Gheddafi tocava os quatro milhões de barris por dia, enquanto, hoje, nem chega aos 150.000. Um bom motivo para os EUA começar novamente a planejar nas 40 bases aéreo-navais que tem na Itália outra “…guerra humanitária para livrar a Líbia dos terroristas de Al Qaeda!”.

Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália e editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do “Correio da Cidadania”

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